Retenção de Restos Placentários: Diagnóstico e Curetagem

A Fisiopatologia da Dequitação Incompleta

A dequitação, ou o terceiro estágio do parto, consiste na separação e expulsão da placenta e das membranas fetais. Em condições fisiológicas, a contração miometrial reduz a superfície de inserção placentária, levando à clivagem através da camada esponjosa da decídua basal. Quando ocorre uma falha nesse mecanismo, fragmentos de tecido trofoblástico permanecem aderidos à parede uterina, impedindo a oclusão eficaz dos seios venosos e resultando em um quadro de retenção de restos placentários.

A etiologia desse fenômeno é multifatorial, podendo estar associada a anomalias na adesão placentária, como o acretismo em graus leves, ou a intervenções precoces na condução do período expulsivo. A presença desse material estranho no lúmen uterino desencadeia uma resposta inflamatória local e impede a formação do globo de segurança de Pinard. Sem a retração adequada das fibras musculares, o útero permanece hipotônico, o que configura a causa primária de hemorragias puerperais persistentes e quadros infecciosos ascendentes.

Clinicamente, a retenção pode se manifestar de forma imediata, com sangramento profuso após o nascimento, ou de forma tardia, semanas após a alta hospitalar. A compreensão biológica desse processo é vital para o obstetra, pois a persistência de tecido vascularizado mantém o útero em um estado de "trabalho" constante para expulsão, o que exala mediadores inflamatórios. O diagnóstico diferencial deve sempre considerar a atonia uterina pura, as lacerações de trajeto e as coagulopatias, embora a inspeção cuidadosa da placenta após o parto seja a primeira linha de defesa preventiva.

Propedêutica e Diagnóstico por Imagem

O diagnóstico da retenção de restos placentários evoluiu significativamente com a integração da ultrassonografia à beira do leito na sala de parto e nas enfermarias de puerpério. O exame ultrassonográfico transvaginal ou suprapúbico permite a visualização de massas hiperecogênicas ou heterogêneas dentro da cavidade endometrial, frequentemente associadas a um espessamento da linha média superior a 15 mm. Entretanto, a interpretação deve ser cautelosa, visto que coágulos sanguíneos normais podem mimetizar a aparência de restos teciduais no período pós-parto imediato.

O uso do Doppler colorido tornou-se uma ferramenta indispensável para aumentar a especificidade diagnóstica ao identificar o fluxo sanguíneo dentro da massa intrauterina. A presença de vascularização ativa confirma que o tecido está aderido e nutrido pela circulação uterina, diferenciando restos placentários de coágulos avasculares que seriam expelidos naturalmente. Essa distinção é crucial para evitar intervenções cirúrgicas desnecessárias em pacientes que apresentam apenas loquiação hemática fisiológica ou pequenos debris que não oferecem risco imediato.

Além da imagem, a correlação com a dosagem de subunidade beta do hCG pode ser útil em casos subagudos ou crônicos, embora seus níveis declinem naturalmente após o parto. Em situações de dúvida diagnóstica persistente ou sangramento recorrente sem massa evidente, a histeroscopia diagnóstica surge como o padrão-ouro de visualização direta. Ela permite não apenas a confirmação da presença de restos, mas também a avaliação da morfologia endometrial e a exclusão de outras patologias, como pólipos placentários ou malformações arteriovenosas pós-traumáticas.

O Manejo Cirúrgico: Da Curetagem à Aspiração

Uma vez confirmado o diagnóstico de restos placentários com repercussão clínica, a intervenção cirúrgica torna-se o tratamento de eleição para evitar o agravamento do quadro. A curetagem uterina clássica consiste na raspagem das paredes internas do útero com uma cureta metálica, visando a remoção mecânica do tecido retido sob anestesia geral ou regional. Embora seja um procedimento tradicionalmente eficaz, ele carrega riscos intrínsecos de perfuração uterina e lesão excessiva da camada basal da decídua, o que pode comprometer a saúde reprodutiva futura da paciente.

A Aspiração Manual Intrauterina (AMIU) ou a aspiração elétrica têm ganhado preferência em muitos protocolos hospitalares devido ao seu perfil de segurança superior. Ao utilizar vácuo para remover o conteúdo uterino, o procedimento minimiza o trauma mecânico às paredes musculares e reduz significativamente o tempo cirúrgico e a perda sanguínea transoperatória. A técnica de aspiração é particularmente vantajosa em úteros amolecidos pelo processo infeccioso ou hemorrágico, onde o risco de perfuração por instrumentos metálicos cortantes é consideravelmente mais elevado.

Independentemente da técnica escolhida, a cobertura antibiótica profilática ou terapêutica é quase sempre indicada, dada a natureza colonizada da cavidade uterina após o parto. O procedimento deve ser realizado em ambiente estéril, preferencialmente sob guia ultrassonográfica em tempo real para garantir o esvaziamento completo da cavidade. A evacuação completa é confirmada pelo "grito uterino", uma sensação tátil de resistência áspera que indica que o instrumento alcançou o miométrio limpo, encerrando a fase ativa da intervenção.

Complicações e Riscos da Intervenção Cirúrgica

Embora a curetagem e a aspiração sejam procedimentos rotineiros, elas não estão isentas de complicações graves que podem surgir tanto no peroperatório quanto a longo prazo. A perfuração uterina é a intercorrência imediata mais comum, ocorrendo frequentemente em úteros muito gravídicos ou infectados que apresentam fragilidade estrutural. Quando ocorre a perfuração, há o risco de lesão em órgãos adjacentes, como alças intestinais e bexiga, o que pode transformar um procedimento simples em uma laparotomia de emergência.


A síndrome de Asherman representa uma complicação tardia severa caracterizada pela formação de sinéquias ou cicatrizes fibrosas dentro da cavidade uterina após uma curetagem vigorosa. Essas aderências podem obliterar total ou parcialmente o lúmen endometrial, resultando em amenorreia, hipomenorreia ou dor pélvica crônica. O impacto mais devastador dessa síndrome é a infertilidade secundária ou a recorrência de perdas gestacionais devido à incapacidade do endométrio de sustentar uma nova implantação embrionária.

Outro risco significativo é a endometrite pós-procedimento, que ocorre quando a manipulação uterina facilita a ascensão de patógenos da flora vaginal para um ambiente rico em sangue e debris. A infecção pode evoluir para miometrite, parametrite e, em casos extremos, pelviperitonite com formação de abscessos tubo-ovarianos. O manejo preventivo com assepsia rigorosa e técnica cirúrgica delicada é a única forma de mitigar esses riscos, garantindo que o tratamento da retenção não se torne a fonte de uma nova patologia.

Perspectiva Farmacológica e Expectante

Em casos selecionados onde a paciente encontra-se hemodinamicamente estável e os restos placentários são de pequeno volume e avasculares, o manejo clínico pode ser uma alternativa viável. O uso de análogos de prostaglandinas, como o misoprostol, visa estimular as contrações uterinas para promover a expulsão natural dos debris remanescentes. Essa abordagem evita os riscos cirúrgicos imediatos, mas exige um seguimento ambulatorial rigoroso, pois a falha no tratamento farmacológico é comum e pode resultar em sangramento súbito e tardio.

O manejo expectante baseia-se na premissa de que o útero é um órgão capaz de autolimpeza durante o processo de involução puerperal, especialmente se não houver sinais de infecção. Estudos indicam que muitos achados ultrassonográficos de "restos" no primeiro mês pós-parto resolvem-se espontaneamente com a próxima menstruação ou através da loquiação. No entanto, essa conduta só deve ser adotada sob estrita vigilância e após a exclusão de vascularização ativa pelo Doppler, para evitar que a paciente sofra uma hemorragia domiciliar inesperada.

A decisão entre o manejo cirúrgico, farmacológico ou expectante deve ser compartilhada com a paciente, pesando-se os riscos de infertilidade futura versus os riscos de infecção imediata. Em centros de excelência, a histeroscopia cirúrgica tem surgido como uma "quarta via", permitindo a remoção seletiva apenas do tecido placentário sob visão direta, sem tocar no endométrio saudável. Esta técnica representa o ápice da preservação funcional uterina, embora ainda sofra com a limitação de custos e a necessidade de equipamentos especializados em ambientes de urgência.

Esta análise coloca você no centro da gestão de uma das intercorrências mais delicadas do pós-parto. Abaixo, organizei os núcleos semânticos para um tratado de 6.500 palavras, focando na segurança clínica, recuperação uterina e precisão diagnóstica.


🏥 Tópico 1: Os 10 Prós do Diagnóstico e Intervenção Ágil

Nesta tabela, você entende por que a rapidez na identificação dos restos placentários é a sua maior garantia de saúde.

ÍconeVantagem da IntervençãoDescrição Estratégica para Você
🩸Estancamento HemorrágicoVocê interrompe a perda sanguínea excessiva ao permitir que o útero finalmente se contraia.
🛡️Prevenção de SepseA remoção dos tecidos impede a proliferação bacteriana e infecções pélvicas graves.
🔄Involução UterinaVocê ajuda seu útero a retornar ao tamanho original de forma fisiológica e segura.
🧬Preservação da FertilidadeO tratamento correto evita cicatrizes (Sinéquias) que poderiam dificultar futuras gestações.
🌡️Estabilidade TérmicaVocê elimina o foco inflamatório que causa febre e calafrios no puerpério imediato.
🤱Amamentação ContínuaCom a saúde restabelecida, você mantém a produção hormonal necessária para o aleitamento.
🩺Precisão por ImagemO uso do ultrassom permite que você visualize exatamente onde o tecido está retido.
💊Menor Custo FarmacológicoO diagnóstico precoce reduz a necessidade de antibióticos de espectro alargado e UTI.
🧘Alívio da DorVocê elimina as cólicas intensas causadas pelas tentativas inúteis do útero de expelir o resto.
Recuperação EmocionalAo resolver a parte física, você foca sua energia no vínculo ininterrupto com o seu bebê.

⚠️ Tópico 2: Os 10 Contrars (Riscos da Não Intervenção)

Aqui, você encara os desafios e as descrições técnicas das complicações de restos retidos.

ÍconeO Risco do AtrasoDescrição Técnica do Impacto (190 caracteres)
🧨Hemorragia TardiaO tecido impede a oclusão dos vasos uterinos; você pode ter um sangramento severo dias após o parto, levando a um choque hipovolêmico se não houver socorro médico imediato e especializado.
🦠Endometrite AgudaOs restos tornam-se cultura para bactérias; você sentirá dores fortes e odor fétido no lóquio, indicando que a infecção está subindo e pode atingir a corrente sanguínea de forma perigosa.
🔪Risco de PerfuraçãoDurante a curetagem, o útero fragilizado pode ser perfurado; você deve estar ciente que tecidos muito aderidos exigem técnica extrema para evitar danos às paredes do órgão em recuperação.
🧱Síndrome de AshermanA raspagem excessiva pode causar aderências internas; você corre o risco de ter o interior do útero "colado", o que interrompe ciclos menstruais e pode causar infertilidade secundária futura.
💉Necessidade de TransfusãoSe a perda de sangue for volumosa, você precisará de hemoderivados; isso introduz riscos imunológicos e prolonga sua internação, distanciando você do ambiente familiar e do seu recém-nascido.
💊Efeitos dos SedativosA curetagem exige anestesia; você pode apresentar náuseas, tonturas ou reações alérgicas aos fármacos, exigindo monitoramento constante das suas funções vitais durante todo o procedimento.
🌑Risco de AcretismoSe o resto for um pedaço de placenta infiltrada, a remoção manual falha; você pode precisar de cirurgias mais invasivas, como a histerectomia, para salvar sua vida em casos de extrema adesão.
📉Anemia PuerperalA perda constante de sangue drena seu ferro; você sentirá uma fadiga extrema e desânimo, o que prejudica sua capacidade de cuidar do bebê e retarda a cicatrização de todos os tecidos lesados.
🛑Retenção de LóquiosO colo do útero pode fechar com restos dentro; você terá dor pélvica sem sangramento visível, criando um ambiente de pressão interna que favorece a ruptura de pontos ou abscessos graves.
🌪️CoagulopatiaA infecção ou restos podem consumir seus fatores de coagulação; você entra em um estado onde o sangue não estanca mais em lugar nenhum, uma emergência médica que exige suporte avançado e caro.

💎 Tópico 3: 10 Verdades Elucidadas

Fatos clínicos fundamentais que você deve conhecer para navegar por este diagnóstico.

ÍconeA Realidade ClínicaDescrição da Verdade (190 caracteres)
🔍Ultrassom é EssencialVocê não deve confiar apenas no exame físico; a ultrassonografia transvaginal ou pélvica é o padrão-ouro para confirmar se o útero está vazio ou se há tecidos vascularizados remanescentes.
🧼Curetagem vs AMIUA Aspiração Manual Intrauterina é menos agressiva que a curetagem metálica; você deve perguntar se esta opção está disponível, pois ela reduz o risco de cicatrizes e danos ao endométrio.
Pode Ocorrer Semanas ApósOs restos não aparecem apenas no dia do parto; você pode descobrir que há placenta retida até 4 ou 6 semanas depois, manifestando-se como um sangramento que parou e voltou subitamente.
🧪Exame HistopatológicoTodo tecido removido deve ser enviado ao laboratório; você tem o direito de saber se o que foi retirado era realmente placenta, confirmando o diagnóstico e descartando outras patologias.
🤰Gestações MúltiplasSe você teve gêmeos, seu risco de retenção é estatisticamente maior; a grande superfície placentária aumenta a chance de que pequenos lobos acessórios fiquem para trás após o nascimento.
💉Ocitocina ajudaO uso de ocitocina no terceiro estágio do parto é uma medida preventiva; você recebeu ou deveria receber essa medicação para ajudar o útero a expulsar a placenta de forma íntegra e rápida.
🔬Lobos SucenturiadosAlgumas placentas têm um pedaço extra separado; você pode expelir a placenta principal inteira, mas um pequeno lobo "satélite" pode permanecer escondido, causando complicações tardias.
🩺Histeroscopia é OpçãoEm casos difíceis, a visão direta por câmera é a melhor saída; você tem uma remoção muito mais precisa e segura quando o médico enxerga o resto placentário através de uma microcâmera.
🌡️Febre é Alerta VermelhoTemperatura acima de 38°C no pós-parto nunca é normal; você deve associar esse sinal à possível retenção de restos, pois a infecção uterina é uma das causas principais de morte materna.
👣Caminhada Não ExpulsaAndar não vai fazer os restos caírem sozinhos; você precisa de intervenção médica, seja medicamentosa ou cirúrgica, pois tecidos aderidos não se soltam apenas com a força da gravidade.

❌ Tópico 4: 10 Mentiras Elucidadas

Desmascarando mitos perigosos que podem confundir o seu processo de cura.

ÍconeO Mito DesmascaradoDescrição da Mentira (190 caracteres)
🚿É Apenas 'Sujeira'Restos placentários não são apenas coágulos comuns; você não pode ignorar achando que o corpo fará a limpeza sozinho, pois tecido vivo retido causa necrose e hemorragias fatais em horas.
🧴Chás Limpam o ÚteroChá de canela ou ervas não tratam restos placentários; você coloca sua vida em risco ao substituir um procedimento cirúrgico ou médico por infusões que não têm poder de descolar tecidos.
🤱Amamentar Previne TudoEmbora a amamentação ajude na contração uterina, ela não garante a saída de restos; você pode amamentar exclusivamente e ainda assim ter placenta retida que exige intervenção hospitalar.
🏥Só Ocorre em Parto em CasaA retenção ocorre em hospitais de ponta tanto quanto em casa; você deve estar atenta aos sinais independentemente do local do nascimento, pois é uma falha biológica na separação dos tecidos.
🔪Curetagem é CastigoO procedimento não é sinal de erro médico; você deve entender que a placenta pode se prender de forma anômala (acretismo) e a intervenção é um ato de salvamento, não uma falha técnica.
🌑Sangramento Escuro é NormalSangue escuro e com odor forte é sinal de infecção; você não deve aceitar que o cheiro desagradável faz parte do pós-parto, pois o lóquio normal tem cheiro de menstruação e não de podridão.
🍼Seca o LeiteA curetagem em si não corta o seu leite; você pode continuar amamentando assim que acordar da anestesia, desde que os fármacos usados sejam compatíveis, o que ocorre na maioria dos casos.
🗓️Sempre Dói MuitoVocê estará sob anestesia durante o procedimento; você não sentirá a raspagem, e a dor pós-operatória costuma ser controlada com analgésicos simples, sendo menor que a dor da infecção.
👶Culpa da MãeVocê não causou a retenção por ter feito esforço; a adesão da placenta é um processo celular entre o embrião e o endométrio, algo que foge totalmente ao controle das suas ações físicas.
Dura HorasUma curetagem simples dura entre 15 a 30 minutos; você passa mais tempo na recuperação da anestesia do que no procedimento em si, sendo uma intervenção rápida para um risco tão elevado.

🛠️ Tópico 5: 10 Soluções e Caminhos

Estratégias para você gerenciar a situação e garantir uma recuperação plena.

ÍconeAção ResolutivaDescrição da Solução (190 caracteres)
📅Revisão PrecoceAgende um ultrassom de controle entre o 7º e o 10º dia; você identifica precocemente qualquer material retido antes que ele cause uma infecção ou hemorragia difícil de controlar no futuro.
🧴Higiene PerinealMantenha a área externa limpa e seca; você reduz a carga bacteriana que poderia subir para o útero através do colo aberto, protegendo-se enquanto aguarda ou recupera do procedimento médico.
🩸Vigilância do AbsorventeConte quantos absorventes você troca por hora; se você encher um em menos de uma hora, procure a emergência, pois este é o parâmetro mais claro de que seu útero não está vazio e seguro.
🌡️Termômetro à MãoMeça sua temperatura duas vezes ao dia na primeira semana; você detecta o início de uma infecção uterina muito antes de sentir dores fortes, permitindo um tratamento muito mais suave.
💊Uso de OcitócitosTome as medicações prescritas para contrair o útero; você ajuda o órgão a expelir coágulos e pequenos fragmentos naturalmente, diminuindo a necessidade de intervenções mais invasivas.
🏥Escolha do HospitalProcure centros com suporte de histeroscopia; você garante que, se precisar de limpeza, ela será feita sob visão direta, o que é muito mais seguro para sua saúde uterina e fertilidade.
🧊Compressas TérmicasUse compressas mornas no abdome para alívio das cólicas pós-procedimento; você relaxa a musculatura enquanto o útero faz o trabalho de involução final após a limpeza dos restos retidos.
📝Histórico MédicoInforme ao médico se você já teve curetagens ou cirurgias uterinas; você ajuda a equipe a prever dificuldades na separação da placenta, permitindo um cuidado preventivo muito mais focado.
💧Hidratação IntensaBeba muita água após a curetagem; você ajuda o corpo a metabolizar a anestesia e recupera o volume sanguíneo perdido, sentindo menos tontura e acelerando sua alta do ambiente hospitalar.
🤝Segunda OpiniãoSe o sangramento persiste e dizem que é "normal", busque outro parecer; você conhece seu corpo e a persistência de coágulos grandes exige uma investigação profunda com exames de imagem.

📜 Tópico 6: Os Mandamentos da Saúde Uterina

MandamentoDescrição da Diretriz para Você (190 caracteres)
🕊️ Não negligenciarás o sangramentoVocê deve monitorar a cor, o odor e a quantidade do fluxo, ciente de que um aumento súbito de sangue vivo após a diminuição inicial é um sinal de alerta que exige avaliação médica imediata.
🔍 Exigirás o ultrassom confirmatórioVocê não aceitará o diagnóstico de "útero limpo" apenas pelo toque manual se houver sintomas, buscando a visão tecnológica que apenas o ultrassom pode oferecer para sua total segurança.
🛡️ Protegerás tua fertilidade futuraVocê questionará sobre a técnica de AMIU em vez da curetagem metálica, priorizando métodos que preservem seu endométrio de cicatrizes que poderiam complicar seus planos de novas gestações.
🤒 Vigiarás a febre com constânciaVocê entenderá que calafrios e temperatura elevada são gritos de socorro do seu sistema imunológico contra restos em decomposição, nunca ignorando esses sinais no período do puerpério.
🤱 Manterás o vínculo apesar do traumaVocê buscará hospitais que permitam a presença do bebê ou acompanhante durante sua recuperação, garantindo que o tratamento físico não interrompa o sagrado processo de apego e aleitamento.
💊 Concluirás o ciclo de antibióticosVocê tomará cada dose receitada até o fim, mesmo se sentir melhora imediata, para garantir que nenhuma bactéria oportunista permaneça no seu útero após a remoção dos tecidos retidos.
🛑 Não introduzirás nada na vaginaVocê evitará relações sexuais ou absorventes internos até a liberação médica após o procedimento, permitindo que o colo do útero feche totalmente sem a entrada de novos agentes infecciosos.
🧊 Respeitarás o tempo de repousoVocê delegará as tarefas domésticas e o peso excessivo, focando apenas no seu bebê e na sua cura, pois o esforço físico pode deslocar coágulos de proteção e causar novos sangramentos.
📝 Guardarás teu laudo patológicoVocê guardará o resultado do exame dos tecidos retirados como um documento vital, que servirá de guia para seus futuros obstetras entenderem como sua placenta se comportou nesta gestão.
❤️ Perdoarás o teu próprio corpoVocê não se sentirá culpada por uma intercorrência biológica; você focará na sua cura com paciência, sabendo que a medicina moderna está pronta para resolver esse desafio com segurança.

Impactos na Saúde Mental e Amamentação

A retenção de restos placentários e a consequente necessidade de reinternação ou cirurgia no período neonatal imediato impõem um fardo psicológico significativo à puérpera. O diagnóstico interrompe o período de "lua de mel" com o recém-nascido e introduz o medo da morte e da dor em um momento de extrema vulnerabilidade emocional. O estresse associado ao diagnóstico e ao ambiente hospitalar pode elevar os níveis de cortisol, o que interfere diretamente na liberação de ocitocina e prolactina, essenciais para a amamentação.

Muitas mães experimentam uma queda temporária ou persistente na produção de leite devido ao estresse físico da cirurgia e à separação temporária do bebê. Além disso, a preocupação com a compatibilidade de medicamentos anestésicos e analgésicos com a lactação frequentemente gera ansiedade e interrupções desnecessárias no aleitamento materno exclusivo. O suporte de uma equipe multidisciplinar, incluindo psicólogos e consultores de amamentação, é fundamental para mitigar esses impactos e garantir que o vínculo mãe-bebê seja preservado durante o tratamento.

A longo prazo, a experiência traumática de uma hemorragia pós-parto ou de uma curetagem de emergência pode contribuir para o desenvolvimento de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e depressão pós-parto. A paciente pode desenvolver medo de novas gestações (tocofobia) devido às complicações vividas, o que ressalta a importância de um acolhimento humanizado e de explicações claras durante todo o processo. O tratamento da retenção de restos, portanto, não é apenas um ato técnico de limpeza uterina, mas uma intervenção de cuidado integral com a saúde da mulher.

Protocolos de Alta e Seguimento Puerperal

Após o tratamento da retenção de restos placentários, seja ele cirúrgico ou clínico, a paciente necessita de orientações claras sobre os sinais de alerta para o domicílio. O retorno do sangramento profuso, a presença de febre, calafrios ou dor pélvica que não cede com analgésicos comuns são motivos para reavaliação imediata em serviço de urgência. A involução uterina deve ser acompanhada clinicamente através da palpação do fundo uterino e da avaliação da progressão da cor e do volume dos lóquios nas semanas subsequentes.

O seguimento ultrassonográfico de controle costuma ser agendado entre 7 a 14 dias após o procedimento para confirmar a vacuidade da cavidade uterina e a normalização do espessamento endometrial. É essencial que a paciente receba suplementação de ferro para corrigir a anemia ferropriva resultante da perda sanguínea, garantindo que ela tenha energia suficiente para os cuidados com o lactente. O planejamento reprodutivo também deve ser discutido, orientando-se sobre o tempo de espera necessário para uma nova concepção, geralmente aguardando a plena recuperação da cavidade.

Por fim, a documentação detalhada do evento no prontuário e na caderneta da gestante é indispensável para futuras gravidezes, uma vez que a história de retenção placentária aumenta o risco de recorrência. O entendimento de que a recuperação completa envolve dimensões físicas, hormonais e emocionais permite uma alta hospitalar mais segura e consciente. O sucesso do tratamento é medido não apenas pela ausência de restos teciduais, mas pelo retorno da mulher à sua rotina familiar com saúde, vitalidade e a integridade de seu sistema reprodutor mantida.


Referências Bibliográficas

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10Santos, R. L.Impacto emocional da reinternação puerperal2020Saúde da Mulher Contemporânea
Fábio Pereira

Fábio Pereira, Analista de Sistemas e Cientista de Dados, domina a criação de soluções tecnológicas e a análise estratégica de dados. Seu trabalho é essencial para guiar a inovação e otimizar processos na era digital.

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